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ENTENDA MELHOR (E PROTEJA-SE) DO CHARLATANISMO
"Charlatanismo" (em
inglês: Quackery) deriva da palavra quacksalver (alguém que se gaba de seus
preparados, um curandeiro). Os dicionários definem charlatão (quack) como "alguém
que finge possuir habilidades médicas; um curandeiro" e "alguém que fala
pretensiosamente sem conhecimento sólido do assunto discutido".
Estas definições sugerem que a promoção do charlatanismo envolve trapaça
deliberada, mas muitos divulgadores acreditam sinceramente naquilo que estão
fazendo. O FDA define fraude na saúde como "a promoção, visando lucros, de
um remédio reconhecidamente falso ou não comprovado". Isto também pode
gerar confusão porque no uso comum -- e nos tribunais -- a palavra "fraude"
denota trapaça deliberada. A característica suprema do charlatanismo é a
promoção, ao invés da fraude, ganância ou desinformação.
por Dr. Stephen Barrett
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A maioria das pessoas,
pensa no charlatanismo como algo promovido por
charlatões que deliberadamente exploram suas vítimas. Na
verdade, a maior parte das pessoas que os promovem são
vítimas desavisadas que compartilham a desinformação e
as experiências pessoais com os outros.
Tipicamente, clientes das empresas de multinível que
vendem produtos ligados a saúde foram convencidos pelos
amigos, parentes e vizinhos que utilizaram os produtos
porque acreditavam que eles eram eficazes.
Os farmacêuticos também
lucram com a venda de suplementos alimentares dos quais
poucos consumidores precisam. Na maioria dos casos os
farmacêuticos não defendem os produtos mas simplesmente
lucram com as promoções enganosas dos outros. Muita
charlatanice também está envolvida ao dizer as pessoas
que alguma coisa é ruim para elas (como os aditivos
alimentares) e vender um substituto (como alimento "orgânico"
ou "natural"). O charlatanismo também está envolvido em
propagandas enganosas de suplementos dietéticos,
produtos homeopáticos e alguns medicamentos que podem
ser comprados sem receita médica. Em muitos destes
exemplos nenhum "charlatão" em particular está envolvido
-- apenas desonestidade das empresas e suas agências de
publicidade.
O charlatanismo não é um fenômeno de tudo ou nada. Um
profissional pode ser científico em muitos aspectos e
apenas minimamente envolvido em práticas não científicas.
Igualmente, os produtos podem ser úteis para alguns
propósitos mas inúteis para outros. Por exemplo,
injeções de vitamina B12 salvam sua vida em casos de
anemia perniciosa, mas usá-las freqüentemente para "dar
energia" é uma forma de fraude médica.
O charlatanismo e a assistência médica ruim se sobrepõem
mas não são idênticos. Charlatanismo leva ao uso de
métodos que não são aceitos cientificamente. Imperícia
envolve falha de um profissional da saúde em cumprir
padrões aceitos de diagnósticos e tratamentos. Inclui
situações nas quais o profissional foi negligente
enquanto utilizava métodos padrão de assistência. Deixar
um instrumento cirúrgico no abdômen ou operar a parte
errada do corpo são exemplos de imperícia ou negligência
não relacionadas com o charlatanismo.
Para evitar problemas de semântica, o charlatanismo
deveria ser amplamente definido como "qualquer coisa na
área da saúde que esteja envolvida com superpromoção."
Esta definição incluiria idéias questionáveis bem como
produtos e serviços questionáveis, apesar da sinceridade
de seus divulgadores. Em sintonia com esta definição, a
palavra "fraude" estaria reservada somente para as
situações nas quais houvesse má-fé.
Métodos não comprovados não estão necessariamente
envolvidos com o charlatanismo. Aqueles consistentes com
conceitos científicos estabelecidos podem ser
considerados experimentais. Pesquisadores e
profissionais legítimos não promovem no mercado
procedimentos não comprovados, mas se empenham em
estudos responsáveis devidamente planejados. Métodos não
compatíveis com conceitos científicos estabelecidos
devem ser classificados como absurdos ou refutáveis ao
invés de experimentais.
Relatório Alfa
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